sábado, 15 de junho de 2013

DE SANTOS E DE MILAGRES

Frequentemente alguns blogs nacionais anunciam que vão publicar notícias-bombas que podem abalar estruturas de famílias, organizações sociais, políticas e econômicas, nas pequenas, médias e grandes comunidades desse imenso país. São verdadeiros milagres descobertos por garimpeiros da informação, detentores de fontes privilegiadas e de insuspeitada credibilidade. São autênticos investigadores sociais, todavia muitos desses "milagres", anunciados com pompa e circunstância, não são noticiados ou comprovados. Assim, nós, reles leitores desses blogs, perdemos a oportunidade de conhecer as "revelações divinas" e o que é mais triste, a oportunidade de poder ter outros "santos e capelas" para devoção. 

Numa postagem anterior, neste blog, sob o título "O futuro dos Jornais Impressos" reproduzi uma notícia sobre entrevista do editor do jornal francês Le Monde Diplomatique, que prenuncia o fim dos jornais impressos que somente veiculam informações dos fatos do cotidiano e deixam de fazer análises críticas sobre esses mesmos acontecimentos. As mídias sociais e blogs como fontes de informação estão se afirmando rapidamente e o diferencial entre eles será inegavelmente a credibilidade das informações e a periodicidade de atualização.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

FOLHA DE SÃO PAULO: PROTESTOS EM BRASÍLIA

Manifestantes provocam tumulto em frente a estádio de abertura das Confederações

MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

Na véspera da abertura da Copa das Confederações, um grupo de 300 manifestantes isolou as vias próximas ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, e ateou fogo a pneus em protesto contra o custo da obra. No sábado, às 16h, acontece o de abertura jogo da competição entre Brasil e Japão.

O protesto interditou as seis faixas em frente ao estádio e gerou uma nuvem de fumaça no centro da capital.

Os manifestantes reivindicam que o mesmo montante gasto pelo governo do Distrito Federal na construção do estádio seja investido em moradias populares. Entre os manifestantes estão integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Ao custo de R$ 1,2 bilhão, o estádio de Brasília é o mais caro da Copa, ao lado do Maracanã.
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Representantes dos movimentos Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) e da Resistência Urbana - Frente Nacional de Movimentos do Comitê da Copa paralisaram o trânsito no Eixo Monumental em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (DF)
"Esse estádio não atende a população, a sociedade de Brasília já entendeu isso. O que a gente quer é que o mesmo tratamento dado a esse estádio seja utilizado para a população carente", disse Tiago Ávila, 27, consultor internacional.

Policiais militares e do Bope (Batalhão de Operações Especiais) além do Corpo de Bombeiros estão nas proximidades do estádio. Após cerca de duas horas de protesto, os manifestantes começam a desocupar as faixas em frente ao estádio.

Eles estão sendo levados para o Palácio do Buriti, sede do GDF, onde terão reunião com representante do governo local.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O FUTURO DOS JORNAIS IMPRESSOS


"Editor do Le Monde Diplomatique no Brasil: só jornais analíticos sobreviverão à internet

Rachel Duarte

O jornalista e editor do jornal Le Monde Diplomatique no Brasil, Silvio Caccia Bava defendeu a urgente democratização da mídia para uma futura comunicação de qualidade no Brasil. A pluralidade dos veículos de imprensa se torna vital, segundo ele, em uma sociedade que se diz democrática e ainda convive com um pensamento hegemônico reproduzido pela grande imprensa. “A sociedade brasileira viveu uma redemocratização e não pode mais estar limitada a uma ótica de interesses oligárquicos de grupos econômicos regionais, que detém concessões obtidas por meio de alianças no período autoritário”, afirmou.

Caccia Bava participou do debate sobre ‘O Papel da imprensa na formação da identidade metropolitana’, no III Fórum de Autoridades Locais de Periferia, em Canoas. Ele defendeu seu ponto de vista ao lado do diretor de Jornalismo do Grupo Bandeirantes no RS, Renato Martins; do diretor de Redação do Correio do Povo, Telmo Flor; do repórter e editor da Zero Hora, Rodrigo Lopes; do editor-chefe do Grupo Sinos Jeison Rodrigues; e do diretor de Comunicação Javier Perez, que veio de Bilbao (Espanha) para participar do evento.

Segundo Bava, a informação chega à sociedade atualmente parte de um pensamento único pautado por Folha de São Paulo, O Globo, Estadão e outros importantes jornais regionais. “Eles dão um sentido editorial que é recodificado para televisão, rádio e jornais menores depois. Mas a linha de pensamento e apuração do fato parte do que foi feito por estes veículos, portanto, com o olhar deles. Precisamos ser mais plurais”, reforçou. E exemplificou: “Eu vejo a imprensa brasileira preocupada em discutir a redução da maioridade penal sendo que apenas 1% dos jovens com menor idade estão envolvidos no mundo do crime. Esta é uma boa notícia?”.

Diante do surgimento das novas mídias e dos novos formadores de opinião nas redes sociais e blogues, o editor do Le Monde no Brasil defende que não estamos próximos ao fim do jornal impresso. Para ele, o momento de transformação do modelo de comunicação pode proporcionar o surgimento de um jornalismo necessário para a sociedade. “A imprensa que noticia o fato tende a diminuir porque já temos o fato acessível na internet. A imprensa mais analítica, que traz referências para se pensar os fatos, tende a crescer. É como diz o slogan do nosso jornal: Informação é importante, mas a análise é fundamental”, disse."

quarta-feira, 12 de junho de 2013

ESCOLA ESTADUAL RUBEM MACHADO LANG

Tendo em vista o ressurgimento do debate sobre a criação da Escola Técnica Estadual Rubem Machado Lang, gostaria de prestar, a título de colaboração, as seguintes informações:

1. Não houve omissão do Governo Yeda Crusius no propósito de efetivamente criar a Escola Rubem Machado Lang no imóvel do antigo Posto Agropecuário do Ministério da Agricultura, de propriedade da União, que havia sido cedido para funcionar uma Unidade da FEBEM e, posteriormente, uma Escola Agrícola de Ensino Fundamental. Essas unidades estaduais foram desativadas pelo Governo Estadual e o prazo do comodato expirado, e por conseguinte, qualquer nova utilização pelo Estado dependeria de renovação do contrato de comodado com o Governo Federal.

2. No Governo Germano Rigotto, através da Superintendência de Educação Profissional, SUEPRO (hoje extinta), foi decidida a criação de uma Escola Técnica Estadual de nível médio no local e encaminhadas as negociações com o Governo Federal para a renovação da cessão de uso do imóvel. Prosseguiram, no Governo Yeda Crusius, as tratativas legais para renovar a cedência e foram adotadas as providências necessárias para instalação da futura escola - elaboração do plano pedagógico e curricular e dos projetos de readequação da infraestrutura básica e pedagógica necessária aos cursos que seriam ofertados. A condição fundamental para a criação e instalação da escola e a aprovação do Conselho Estadual de Educação sempre residiu na obtenção do termo de cessão de uso devidamente chancelado pelo Ministério da Justiça. E, efetivamente, esse processo foi muito longo.

3. Em novembro de 2009, já na condição de Superintendente da SUEPRO, tomei contato formal com a continuidade do processo de criação da Escola Rubem Lang e localizei o processo de cessão de uso na Delegacia Estadual do Patrimônio da União, em Porto Alegre, ainda pendente de diligências administrativas formais para seguirem os demais trâmites legais junto às instâncias do Ministério da Justiça, em Brasília, o que de fato ocorreu em meados de 2010.
 
4. A tramitação do processo de cessão de uso da área referida coincidiu com a expansão do ensino profissionalizante no país, através da criação de dezenas de Institutos Federais no Rio Grande do Sul, como também a promessa e o aporte de substanciais recursos financeiros federais para a rede estadual de educação profissional cujos projetos foram negociados diretamente pela SUEPRO com o secretário nacional de Educação Profissional, Elezier Pacheco.

5. Em 2010, uma Comissão de parlamentares da Câmara de Vereadores de Santiago visitou a Secretaria de Educação e manifestou que a preferência da comunidade era pela instalação de uma Unidade do Instituto Federal de Educação Farroupilha, vontade esta posteriormente chancelada pelo prefeito Júlio Ruivo, através de correspondência. Opção plenamente acatada por nós e reconhecida como a mais conveniente para Santiago.

6. Diante das posições das lideranças representativas da comunidade de Santiago, e em audiência com o secretário nacional de Educação Profissional, Elezier Pacheco, recebi a informação de que não havia previsão de criação de um novo campus federal em Santiago, todavia a reitoria do Instituto Federal Farroupilha tinha autonomia para criar ou não novas extensões, além disso afirmou, na oportunidade, que não se opunha à cessão da área federal requerida pelo Estado. 

7. O processo de concessão de uso da área remanescente do antigo Posto Agropecuário foi assinado pelo Ministro da Justiça em 9 de outubro de 2010, há menos de três meses do término do Governo Yeda Crusius. Prazo exíguo, portanto, para o Estado obter a autorização de funcionamento da escola junto ao Conselho Estadual de Educação, além de efetuar as reformas e adequações, instalação de unidades didáticas e demais medidas necessárias ao funcionamento de um educandário.

8. O imóvel efetivamente está cedido para o Estado desde 2010, os Governos Estadual e Federal têm a mesma orientação político-partidária e ideológica, portanto a abertura ou não da Escola Rubem Lang só não ocorrerá se não houver viabilidade técnica e operacional ou não esteja dentro das prioridades do governo Tarso Genro.

9. O relato que acabo de fazer não tem o propósito de apontar culpados pela não abertura da escola e nem fazer julgamentos irresponsáveis sobre fatos, mas tão somente recolocar o debate sobre esse tema na sua devida importância, pois considero fundamental para nossa gente, especialmente para os jovens que cursam o ensino médio terem a oportunidade de, concomitantemente, obterem uma profissão antes de ingressarem na universidade.

Nessa história da Escola Rubem Lang não há vilões e nem heróis, pois todos nós cometemos equívocos na condução do assunto, ou por desconhecimento da complexa burocracia institucional; pelos nossos ranços partidários que turvam o debate lógico e produtivo entre pessoas e instituições; leitura equivocada da realidade educacional brasileira no que concerne à educação profissional; ou por interesses pessoais que se sobrepõem ao coletivo - não sei quais desse fatores são mais ou menos os responsáveis pela ausência de uma escola técnica de nível médio no nosso município.

Sei que governo Tarso Genro planeja dar uma destinação definitiva para a área da Rubem Lang, anexando-a ao Instituto Estadual de Educação Profissional Professor Isaías. Acho que pode ser uma boa solução, desde que não tarde muito e que ofereça um cardápio de cursos técnicos atraentes aos jovens, que estejam inseridos na realidade do mundo do trabalho. Penso que é chegada a hora de desarmar os espíritos e buscar uma forma republicana de apoiar qualquer iniciativa que concretize a oferta de ensino médio profissionalizante para os nossos jovens e atualização profissional para todos. 

ADÁGIO EM SOL MENOR PARA CORDAS E ÓRGÃO - ALBINONI



terça-feira, 11 de junho de 2013

“Atual modelo de democracia representativa está esgotado”, afirma Manuel Castells

Sentimento de indignação e revolta diante de uma injustiça provoca a articulação das pessoas pelas redes, diz Castells | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Samir Oliveira

Um dos principais estudiosos contemporâneos dos movimentos sociais na era da internet, o sociólogo espanhol Manuel Castells esteve em Porto Alegre na noite desta segunda-feira (10), onde promoveu uma palestra sobre o tema no ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento, no Salão de Atos da UFRGS. Durante uma hora, a língua serena e afiada do intelectual não poupou governos, partidos e organizações ao demonstrar que o atual modelo que entendemos como democrático está esgotado.

Manuel Castells pontua que as novas formas de manifestações — auto-convocadas e articuladas através das redes sociais — demandam uma nova forma de participação dos cidadãos nos processos de decisão do Estado. Ele observa que os atos sempre surgem através de uma emoção: a reação indignada diante de algo que parece injusto. A partir daí, os diversos sentimentos individuais unem-se pelas redes e ganham as ruas pela ocupação de espaços públicos urbanos.

Para o acadêmico espanhol, essa foi a dinâmica que desenvolveu e vem desenvolvendo protestos nos países árabes, na Espanha (com os indignados), nos Estados Unidos (com as ocupações) e, mais recentemente, na Turquia. “Depois da raiva provocada pela indignação, vem a emoção da solidariedade e de nos relacionarmos com os outros frente ao perigo (da repressão). Passar da indignação pessoal à ação coletiva é um processo de comunicação. Neste caso, de comunicação em rede, que é instantânea e transmite o local ao global”, explica.

O estudioso aponta um outro papel relevante da internet para o fortalecimento deste tipo de mobilização: a divulgação veloz e abrangente de imagens da repressão policial que as pessoas sofrem ao ir para as ruas. “O detonante para (ampliar) esses movimentos foi a divulgação na internet de imagens da repressão. Ocorre um processo de identificação. E a transição da indignação à esperança ocorre após deliberações em espaços autônomos – tanto o virtual quanto o espaço público ocupado”, avalia.

Movimentos partem da rede para a ocupação do espaço público urbano

O sociólogo Manuel Castells traçou algumas características que considera comuns entre os movimentos sociais contemporâneos que surgiram como reação a situações de exploração em seus países. A ausência de lideranças estabelecidas é uma consequência do formato horizontal destas mobilizações. Ao mesmo tempo, ele observa que essa estrutura descentralizada “maximiza a possibilidade de participação das pessoas e dificulta a repressão”, além de afastar os movimentos da burocratização interna."

Leia a íntegra do artigo sobre a palestra acessando o link, abaixo:

http://www.sul21.com.br/jornal/2013/06/atual-modelo-de-democracia-representativa-esta-esgotado-afirma-manuel-castells/