sábado, 4 de dezembro de 2010

A Ponte da Solidariedade

Ao meio-dia de 3 de dezembro de 2010, em ato público na rodovia RSC 287, trecho estadual coincidente com o traçado da BR 287, a Rota do Sol, na margem esquerda do Rio Jacuí, ocorreu um fato histórico para o Rio Grande do Sul - a inauguração, pela Governadora Yeda Crusius, de uma nova ponte sobre o rio, em substituição a que foi  destruída por uma grande cheia, no dia 5 de janeiro do ano em curso. Denominada travessia Hilberto Boeck (vice-prefeito de Agudo, que estava sobre a estrutura, quando ela cedeu), e carinhosamente apelidada de Ponte da Solidariedade, a obra foi construída e entregue à comunidade no tempo recorde de sete meses, e tem estrutura de 423 metros de extensão e 13 metros de largura, e custou R$ 53 milhões. 

Poderia ser uma ação de rotina inaugurar uma nova ponte, foram tantas pontes e tantas outras obras realizadas nos últimos quatro anos, que esta poderia ser mais uma inauguração protocolar. Mas não foi! Esta obra tem alguns significados especiais que precisam ser destacados: Primeiro, as circunstâncias dramáticas decorrentes da queda da ponte, perdas de preciosas vidas e prejuízos econômicos incalculáveis às populações dos municípios atingidos pelo aguaceiro, especialmente Agudo; Segundo, a atitude da Governadora Yeda, firmeza,  determinação e agilidade na tomada de decisão política, para socorrer as populações atingidas e recuperar a infraestrutura destruída, especialmente a de construir uma nova ponte sobre o Jacuí, obra vital para a reestabelecer a normalidade do transporte rodoviário na região central do Estado, atingida pelo desastre; Terceiro, a capacidade técnica dos profissionais do DAER em conceber o projeto de engenharia que combinasse tecnologia avançada, economicidade e rapidez na execução. O prazo para conclusão do projeto e da obra deveria ser de um ano. 

O projeto técnico e a obra de engenharia foram executados no tempo recorde de 11 meses, com todos os requisitos atendidos. Os recursos saíram exclusivamente do orçamento do Estado. Obra feita, obra paga -  esse tem sido lema do Governo do Estado Rio Grande do Sul, depois que conquistou o Déficit Zero, em 2008.

Testemunhei o ato de entrega da ponte, ouvi as manifestações do diretor do DAER, Vicente Ferreira, do Secretário da Infraestrutura e Logística, Daniel Andrade, dos deputados Adolfo Brito e Jorge Pozzobom (recém-eleito), do Prefeito Ari Anunciação e da Governadora Yeda Crusius. Destaco os pronunciamentos do Prefeito e da Governadora. O Prefeito, com contida emoção, expressou o sentimento da sua comunidade que, ao mesmo tempo em que reverenciava a memória dos seus entes queridos desaparecidos no desastre, também reconhecia a solidariedade recebida de muitos e a importância desta obra para a retomada da normalidade de suas vidas, agradeceu à governadora e disse que sempre acreditou que a ponte seria construída. "Este é um governo que cumpre o que promete".  

Yeda Crusius, sensibilizada, dedicou a nova ponte ao povo do Rio Grande do Sul destacando a sua principal característica: a solidariedade. De acordo com a governadora, a ponte foi construída por um governo que tem responsabilidade. "A decisão de fazê-la, tomada no dia 6 de janeiro, um dia depois do desabamento, foi pela vida. Podíamos ficar com a balsa fazendo a travessia por muito tempo, mas decidimos fazer uma ponte nova no mesmo lugar, independente do valor necessário", frisou Yeda. A governadora igualmente destacou que a nova ponte é para as comunidades, mas é também para o fortalecimento da economia gaúcha, que utiliza a rodovia para escoar a produção. "Além do beneficio regional, esta ponte tem uma abrangência maior, porque por ela passa a economia do Rio Grande do Sul", salientou Yeda.

Pelo projeto estrutural, a nova ponte recebeu mais de mil toneladas de aço e mais de três mil metros cúbicos de concreto. A sua base foi fixada diretamente nas rochas abaixo do leito do rio, o que garante mais segurança, e a infraestrutura conta com estacas escavadas mecanicamente em solo e em rocha, com uma profundidade média de 25 metros. Para a mesoestrutura foram utilizados dez apoios (dois encontros e oito pilares) em concreto armado e, para a superestrutura, um tabuleiro com vigas longarinas metálicas, sobre as quais foram colocadas lajes de concreto armado pré-moldadas, pavimentadas com concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ). Uma ponte com tecnologia moderna, que restabelece a ligação entre o centro e a capital do Estado.

É bom lembrar de que outra ponte também foi carregada pelas águas do Rio Rosário, no trecho da BR-287 que liga os municípios de Jaguarí e Santiago, em 1984.

2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezado engenheiro Vulmar Leite!
Desejo que esta nova ponte contribua sobremaneira para facilitar a vida das pessoas que precisam utilizá-la para chegar aos seus destinos, bem como contribua para o escoamento das mercadorias produzidas no seu pujante Estado Meridional! Também desejo muito vigor para a Governadora Yeda Crusius e oxalá o novo governo continue com políticas públicas que são referência em outros Estados da Federação!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

Anônimo disse...
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